quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Gaiolas e Asas

Os pensamentos me chegam de forma inesperada, sob a forma de aforismos. Fico feliz porque sei que Lichtenberg, William Blake e Nietzsche frequentemente eram também atacados por eles. Digo "atacados" porque eles surgem repentinamente, sem preparo, com a força de um raio. Aforismos são visões: fazem ver, sem explicar. Pois ontem, de repente, esse aforismo me atacou: "Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas".
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-las para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.
Esse simples aforismo nasceu de um sofrimento: sofri conversando com professoras de segundo grau, em escolas de periferia. O que elas contam são relatos de horror e medo. Balbúrdia, gritaria, desrespeito, ofensas, ameaças... E elas, timidamente, pedindo silêncio, tentando fazer as coisas que a burocracia determina que sejam feitas, como dar o programa, fazer avaliações... Ouvindo os seus relatos, vi uma jaula cheia de tigres famintos, dentes arreganhados, garras à mostra - e a domadoras com seus chicotes, fazendo ameaças fracas demais para a força dos tigres.
Sentir alegria ao sair de casa para ir à escola? Ter prazer em ensinar? Amar os alunos? O sonho é livrar-se de tudo aquilo. Mas não podem. A porta de ferro que fecha os tigres é a mesma porta que as fecha com os tigres.
Nos tempos de minha infância, eu tinha um prazer cruel: pegar passarinhos. Fazia minhas próprias arapucas, punha fubá dentro e ficava escondido, esperando... O pobre passarinho vinha, atraído pelo fubá. Ia comendo, entrava na arapuca e pisava no poleiro. E era uma vez um passarinho voante. Cuidadosamente eu enfiava a mão na arapuca, pegava o passarinho e o colocava dentro de uma gaiola. O pássaro se lançava furiosamente contra os arames, batia as asas, crispava as garras e enfiava o bico entre os vãos. Na inútil tentativa de ganhar de novo o espaço, ficava ensanguentado... Sempre me lembro com tristeza da minha crueldade infantil.
Violento, o pássaro que luta contra os arames da gaiola? Ou violenta será a imóvel gaiola que o prende? Violentos, os adolescentes de periferia? Ou serão as escolas que são violentas? As escolas serão gaiolas? Vão me falar sobre a necessidade das escolas dizendo que os adolescentes de periferia precisam ser educados para melhorarem de vida. De acordo. É preciso que os adolescentes, que todos, tenham uma boa educação. Uma boa educação abre os caminhos de uma vida melhor. Mas eu pergunto: nossas escolas estão dando uma boa educação? O que é uma boa educação?
O que os burocratas pressupõe sem pensar é que os alunos ganham uma boa educação se aprendem os conteúdos dos programas oficiais. E, para testar a qualidade da educação, criam mecanismos, provas e avaliações, acrescidos dos novos exames elaborados pelo Ministério da Educação.
Mas será mesmo? Será que a aprendizagem dos programas oficiais se identifica com o ideal de uma boa educação? Você sabe o que é "dígrafo"? E os usos da partícula "se"? E o nome das enzimas que entram na digestão? E o sujeito da frase "Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante"? Qual a utilidade da palavra "mesóclise"? Pobres professoras, também engaioladas... São obrigadas a ensinar o que os programas mandam, sabendo que é inútil. Isso é hábito velho das escolas. Bruno Bettelheim relata sua experiência com as escolas: "Fui forçado (!) a estudar o que os professores haviam decidido que eu deveria aprender. E aprender à sua maneira".
O sujeito da educação é o corpo, porque é nele que está a vida. É o corpo que quer aprender para poder viver. É ele que dá as ordens. A inteligência é um instrumento do corpo cuja função é ajudá-lo a viver. Nietzsche dizia que ela, a inteligência, era "ferramenta" e "brinquedo" do corpo. Nisso se resume o programa educacional do corpo: aprender "ferramentas", aprender "brinquedos".
"Ferramentas" são conhecimentos que nos permitem resolver os problemas vitais do dia-a-dia. "Brinquedos" são todas aquelas coisas que, não tendo nenhuma utilidade como ferramentas, dão prazer e alegria à alma.
Nessas duas palavras, ferramentas e brinquedos, está o resumo da educação. Ferramentas e brinquedos não são gaiolas. São asas. Ferramentas me permitem voar pelos caminhos do mundo.
Brinquedos me permitem voar pelos caminhos da alma. Quem está aprendendo ferramentas e brinquedos está aprendendo liberdade, não fica violento. Fica alegre, vendo as asas crescer... Assim todo professor, ao ensinar, teria de se perguntar: "Isso que vou ensinar, é ferramenta? É brinquedo?" Se não for, é melhor deixar de lado.
As estatísticas oficiais anunciam o aumento das escolas e o aumento dos alunos matriculados. Esses dados não me dizem nada. Não me dizem se são gaiolas ou asas. Mas eu sei que há professores que amam o vôo dos seus alunos.

Há esperança...

Rubem Alves



terça-feira, 3 de novembro de 2009

História da Física - Resumo

Esse link tem um breve resumo sobre a história da física, muito interessante, vale à pena ler.

Áreas da Física

Áreas principais

Mecânica
     Cinemática
     Dinâmica
     Estática
     Hidrostática
     Hidrodinâmica
     Aerostática
     Aerodinâmica

Termologia
     Termodinâmica
     Calorimetria
     Termometria

Ondulatória

Acústica

Óptica

Electromagnetismo
     Magnetismo
     Eletricidade
     Física de Semicondutores

Física Moderna
    
Teoria da relatividade
     Relatividade geral
     Relatividade restrita

Física de Partículas
     Física Subatômica

Física Atômica

Física Molecular

Física Nuclear

Mecânica Quântica

Mecânica Estatística

Aplicações na tecnologia
     Eletrônica
     Física computacional

Outras áreas
     Física de Materiais
     Mecânica estatística
     Física Matemática
     Física de Plasmas
     Oceanografia
     Econofísica
     Física atmosférica
     Astrofísica
     Física Teórica

Guerra do tráfico prejudica 13 mil estudantes no Rio de Janeiro

A cidade maravilhosa está cada vez mais dominada pelo tráfico e a população cada vez mais refém do medo. Quando essa situação mudará? Até quando as pessoas viverão presas dentro de suas residências com medo do mundo lá fora? Muda Brasil!!!

Computador em excesso eleva risco de fotofobia

Pessoas que ficam expostas em excesso à luz da tela do computador devem fazer um rápido intervalo a cada uma hora para relaxar a musculatura ocular. A prática pode ser eficaz contra o desenvolvimento da fotofobia, nome dado à sensibilidade exagerada à luz --solar ou artificial.
Com o esforço em frente à tela do monitor, a pessoa pisca menos, o que diminui a lubrificação dos olhos, segundo Wilmar Silvino, oftalmologista do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos.
A fotofobia pode comprometer a rotina do indivíduo, impedindo-o de fazer atividades como dirigir, caminhar durante o dia, tomar sol, assistir TV, entre outras.
Acesse o link e ouvirá um podcast. Essa notícia foi divulgada na folha online em 27/10/2009.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Supercondutores.

Nesse link há uma boa discussão sobre supercondutores.

Supercodutibilidade


Isso não é mágica. Quando materiais magnéticos estão há uma baixa temperatura, que é o caso do vídeo, onde foi adicionado nitrogênio líquido ao recipiente, eles se comportam como supercondutores, por isso o imã flutua.

domingo, 25 de outubro de 2009

Baile "mata aula" aliciava adolescentes para tráfico e prostituição na Grande SP, diz polícia

Até onde vai esse absurdo?
Os pais pensam que seus filhos estão seguros na escola e eles vão a um "baile".
A nossa educação já está em coma, a maioria dos professores já entram em sala assinando a sua certidão de óbito e nossos estudantes ainda fazem isso.
Onde vamos parar?

Oscilações eletromagnéticas em um circuito LC

Considere um indutor ligado em série com um capacitor. Esta conexão simples é chamada de circuito LC. Vamos supor inicialmente que não exista nenhuma fonte de alimentação ligada neste circuito. Suponha que no instante inicial o capacitor esteja carregado com um carga q0. Quando o indutor for ligado aos terminais deste capacitor, começará a fluir uma corrente através do indutor. De acordo com a lei de Faraday esta corrente variável produz uma tensão variável que, pela lei de Lenz, tem um sentido tal que se opõe à alteração da diferença de potencial no terminais do capacitor. É fácil verificar, portanto, que surgirá no circuito uma corrente oscilante que percorre periodicamente o circuito, ora em um dado sentido, ora no sentido contrário. Desprezando a resistência dos fios e a resistência da bobina, como existe conservação da energia, concluímos que a corrente deveria ficar oscilando eternamente em qualquer circuito LC.
Esta situação é análoga ao efeito observado nas oscilações de um bloco preso por uma mola e apoiado sobre um plano horizontal sem atrito. Desprezando o atrito, sabemos que o bloco deve continuar oscilando eternamente com movimento harmônico simples.
Na realidade, como existe atrito, o movimento cessa no fim de um certo tempo. De modo similar, quando levamos em conta a resistência em um circuito LC a corrente tende a se extinguir depois de um certo tempo, chamado de tempo de relaxação do circuito.
A situação ideal de um circuito LC com resistência nula pode ser aceita na prática supondo-se que o indutor seja uma bobina supercondutora ligada mediante fios supercondutores com um capacitor. Porém este circuito LC só não dissipa energia enquanto o sistema for mantido a uma temperatura inferior à temperatura crítica do supercondutor considerado.
Faremos um comentário sobre supercondutores num próximo post.